sexta-feira, 4 de março de 2011

Por aqui está tudo bem, penso sempre em escrever para contar como estão as coisas, mas é uma sensação tão estranha essa de ser estrangeiro, os dias passam numa correria de burocracia, aproveitar o
tempo, conhecer a cidade, trabalhar um pouco, que quando vejo, não escrevo. Todo dia, há coisas novas, coisas boas e nem tão boas assim, vai do humor do dia.
Ir ao supermercado de bom humor é uma aventura, descobrir o que são as coisas, buscar uma "carinha" conhecida, experimentar coisas novas. De mau humor, é uma frustração andar e andar pelas prateleiras e não reconhecer nenhum produto, lembrar das coisas compradas que têm gosto diferente do gosto que você conhece e ficar com medo de errar de novo... tudo depende do dia e do humor. Em geral, eu me divirto no supermercado e me chateio em casa quando o gosto é muito diferente.
Tudo é novo, no começo eu tinha vontade de tirar foto de tudo, primeiro por medo de esquecer as coisas bonitas que eu via e também porque pensava em mostrá-las mais tarde. Agora, desisti, melhor eu tomar alguma coisa para memória e vocês confiarem no que eu conto.
Eu estou morando no cemitério. Parece estranho, mas é assim mesmo que as pessoas se referem a essa parte do bairro Ixelles. O Cemitério é bem bonito (pelo menos enquanto as árvores têm folhas), em volta do cemitério há muitos bares e restaurantes. A vida no cemitério é bem animada, é um bairro de jovens estudantes, tem sempre gente pela rua.
Ainda estou me adaptando ao cemitério, no começo, eu morava na Rue de la Paix, uma parte mais chique de Ixelles, um pouco longe da faculdade, mas muito legal, entre o bairro africano e a parte nobre da
cidade.
Aqui em Bruxelas, há todo tipo de gente, você escuta todas as línguas o tempo todo e vê todas as feições do mundo, muitos africanos, árabes, vietnamitas e europeus em geral por causa da cede da União Européia. Ah, e muitos brasileiros. No ônibus, você encontra mulheres com lenços muçulmanos, burcas, africanos com aquelas roupas grandes e coloridas,tudo, tudo... e todo mundo fala, e todo mundo se entende e todo mundo cheira um pouco forte quando faz calor.
A comida! Os belgas comem batata frita e outras coisas fritas e tomam cerveja. Eles tomam muita cerveja, de verdade, é uma coisa impressionante.
O que eu mais gosto aqui são as feiras. Se faz calor, a feira vira uma festa. Pessoas de todas as idades vão a feira com suas garrafas de vinho rose bem geladinho, compram frutas, queijos e azeitonas na
feira e fazem um piquenique ali mesmo! Eu adoro! As aulas ainda não começaram. Eu fiz um curso de francês durante o mês de agosto. Falo feito uma matraca, mas não falo muito bem. A
universidade fisicamente é pequena, mas é um campus bonito e há muitos prédios, todos perto, o que promove uma integração maior entre os estudantes.
Na semana que vem as aulas começam, estou animada e ansiosa para aprender coisas novas.

Os belgas... não sei bem o que dizer sobre eles, meus amigos são estrangeiros como eu, a maioria italianos, só tenho um amigo belga que vem da região que fala holandês e por isso faz o curso de francês também. Três línguas são faladas na Bélgica: Francês, Holandês e Alemão.
Ah, e eu moro com um casal, um francês e uma belga, de uns 50 anos.
Ele passa o dia a fazer piada da Bélgica e ela a reclamar da França, são simpáticos, têm dois gatos, mas são simpáticos. Eu moro no teto, tenho um quarto, uma cozinha e um escritoriozinho, é pequeno e bonitinho. Tem espaço para visitas, viu?
Eu fico aqui esperando o dia em que a neve vai cair para eu descobrir o que eu vou fazer com as minhas janelas que ficam no telhado...

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