sexta-feira, 4 de março de 2011

Minha vida em Bruxelas tem ido muito bem, entre baladinhas no cemitério e passeios nos arredores, eu tenho levado uma vida, assim, saudável. Na universidade, tenho tido alguns contratempos, mas, enfim, nada que é muito fácil tem graça, não é?

No dia-a-dia tenho me adaptado aos pequenos detalhes da rotina em Bruxelas. Aprender a lidar com o calcário é um dos pequenos detalhes. A água aqui, que bebemos, cozinhamos e tomamos banho, é tratada com calcário. Esse calcário fica incrustado em tudo, e a gente tem que tomar uma série de cuidados para não entupir as pias, manchar o azulejo, bem como para remover o calcário da cafeteira, máquina de lavar, etc. Eu tenho uma cafeterazinha, um dia quando olhei com atenção ela estava com o fundo branco e grosso de calcário, fiquei desesperada pensando nas paredes do meu estômago. Me explicaram que não faz mal pra saúde e que eu devo usar vinagre branco para remover o calcário das coisas... só me faltava ter que beber vinagre.

Os detalhes incluem também a triagem do lixo para reciclagem. Temos que separar o lixo, cada tipo de lixo dentro de umsaco de uma determinada cor, com dia certo para se colocado na rua. Plástico duro (mole como sacolinhas não vale) e latas: saco azul; coisas orgânicas: saco verde; papel e papelão : saco amarelo, o que você não sabe onde colocar: saco branco. Vidros, em hipótese alguma, podem ser jogados no lixo, você tem que lavar e depois ir até a praça mais próxima e depositar nos receptores que dividem os vidros entre transparentes e coloridos... ai, ai... eu já nem faço mais muito lixo demedo de me confundir nesse sistema todo de triagem.

Mudando de assunto, chegou o outono por aqui. Eu estava ansiosa para ver as passagens de uma estação pra outra. O outono é bonito, as coisas vão morrendo aos poucos, mas para morrer mudam de cor, e tudo fica tão charmoso entre tonsde amarelo e vermelho, é lindo mesmo.

A língua, continuo em processo de aprendizagem, falando feito uma maritaca e compreendendo como uma mula... o tristeza! Brincadeira, vou indo bem, faço os cursos em francês e entendo quase 80% do que o professor fala, 20% ou eu não entendo, ou me eu distraí na primeira coisa que não entendi e minha cabeça foi longe demais pra voltar pro francês.

Tenho aprendido muito aqui, tenho me conhecido melhor também, descobri que gosto de feijão e que ser brasileiro não é entender de futebol ou saber sambar , mas sim conhecer mais de um tipo de banana. Que tristeza passar a vida inteira pensando que só existe banana nanica...

Falando em brasileiros,

o que faz da gente um estrangeiro? Estrangeiro é o que vem de fora, e “vir de fora” para uma Europa tão habituada a ir, não é assim tão fácil.

Meus amigos, europeus de países diversos ( Itália, Suécia, Espanha e Inglaterra) não se sentem e não são tratados como estrangeiros, eu sou sempre uma estrangeira. Isso já virou piada interna no grupo, quando vamos fazer alguma coisa errada, como entrar com garrafa de vinho em algum lugar, sempre dizem: não coloca na bolsa da Fernanda porque a brasileira vai ser a primeira a ser revistada. Eu levo numa boa, também porque não tenho muita opção. Mas queria comentar, porque a gente tem uma idéia de que brasileiros são sempre bem-vindos, sempre queridos... e as coisas não são bem assim. O que me salva é que na maioria das vezes passo desapercebida por causa da brancura, isso me salva e me entristece.

Eu estou bem por aqui, tranqüila, mas com muitas saudades, quando me vejo perdida, eu fecho os olhos e penso no terraço da minha casa em Aguaí,nas tardes quando nos sentamos lá pra conversar, na luz que tem aquele lugar... meu porto seguro.

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