No avião para Bruxelas, eu penso na quantidade de vezes que eu ouvi : “Ah, um ano passa tão rápido!”. Que passa rápido eu sei, mas um ano tem 12 meses e 12 meses não são pouca coisa. Se eu fosse uma criança ingressando na escola, em 12 meses, eu aprenderia a ler e a escrever. Se eu fosse uma mulher grávida, em 12 meses, eu teria um bebê de 3 meses( pensei nisso porque do meu lado viajou uma mãe com sua filha grávida de semanas). Se eu fosse uma plantação de painço, eu daria 4 safras ( meu pai me disse isso). Doze meses são 12 meses, e o que eu penso agora é que se forem bons, e serão, vão passar tão rápido.
Outra coisa que passa pela minha cabeça agora é que eu serei uma estrangeira. Depois de trabalhar tanto tempo com estrangeiros, chegou a minha vez! Eu fico pensando que tipo de estrangeira vou ser. Há estrangeiros de todo tipo, os que acham tudo legal, os que acham tudo uma nova experiência cultural, há os nostálgicos, tudo no seu país de origem é melhor, o pão, o queijo, a carne, a intensidade do sol, o modo como a chuva cai e a água. Às vezes, eu penso que eu deveria ser desse último tipo, dessa forma eu me sentiria vingada por todos os estrangeiros que me amolaram com as intermináveis queixas sobre a intensidade do sol. Mas acho que eu terei mais diversão se eu me propuser a ser do tipo tudo é legal, as pessoas ficam felizes quando a gente gosta das bobagens deles. Eu ficava feliz quando meus alunos diziam que alguma coisa no Brasil era ótima, mesmo que pessoalmente eu achasse uma bobagem.
Bom, ficamos assim, eu escreverei durante esses 12 meses e vocês me dizem que tipo de estrangeira eu me tornei.