sábado, 15 de agosto de 2009

La Rue de la Paix.


Em Bruxelas, eu moro na Rua da Paz ( Rue de la Paix). Na rua da Paz há uma comunidade do Congo. A primeira vez em que eu andei pela rua e me deparei com aquelas pessoas, eu pensei: "Onde eu vim parar?". Voltei para a casa envergonhada e levei uma semana para voltar até os bares africanos. A vergonha de pensar o que eu achava que não pensava, me fez temer que alguém tivesse lido meus pensamentos. Mas hoje decidi que eu poderia mudar de pensamentos mesmo que eu os tivesse sem saber.
Hoje, fui até o final da rua da Paz, no final da rua da Paz, depois dos cafés belgas e dos bares africanos, há um restaurante indiano.
Eu gosto da rua da Paz.

L' Universite Libre de Bruxelles -ULB

A Universidade não é muito grande, todos os prédios são muito perto uns dos outros. Bem diferente da USP. Aqui você muda de andar e está em outra faculdade.

Isto é muito bom porque promove uma integração maior entre os estudantes.

O bairro dos estudantes é uma Vila Madalena com charme europeu... preciso arrumar um apartamento ali de qualquer jeito!! :-)

O Festival de música

Está acontecendo um festival de música na cidade. É uma coisa incrível, incrível mesmo, a quantidade de pessoas andando pelas ruas, indo de um parque a outro para os shows e bebendo, bebendo sempre. Bom vinho, boa cerveja... o que eu esperava?

Eu fui caminhando meio que sem rumo, depois encontrei uns amigos na Grand Place, que é ainda mais linda a noite. Havia muita, muita gente lá, falando tantas línguas que eu achei estar revivendo a torre de Babel.

Eu estou adorando poder andar a noite tranquila, este bem de que somos privados no Brasil é o que mais me entristece. Somos privados do direito de ir e vir por medo, isso não é justo.

Um problema social

Neste primeiro mês, eu estou morando com um casal bem jovem, ela tem 26 anos e ele 22. Ela estudou psicologia e ele estudou mecânica em um curso técnico. Ela não consegue trabalho como psicóloga e tão pouco suas amigas. Elas trabalham no Quick, é como um Mac Donalds, como garçonetes. Estão frustradas e achando injusto terem de trabalhar neste lugar uma vez que têm faculdade. Eu acho que em breve teremos o mesmo problema que a Bélgica, muitas pessoas formadas, mas no nosso caso, mal formadas, trabalhando em funções diversas de sua formação.

Os primeiros dias - A cidade.




Bruxelas é uma cidade bonita e viva, ao menos no verão. Como escurece às 10 da noite, há muita gente andando pelas ruas, nos bares e pequenos restaurantes, bebendo e bebendo.

As lojas de comércio fecham às 6 e parece que os escritórios também. Fechar às 6 horas significa fechar às seis. Eles te mandam embora da loja, quando faltam 5 minutos para as 6, tem um funcionário na porta dizendo que ninguém mais pode entrar.

A cidade é limpa e segura, mesmo assim há pessoas pedindo dinheiro na rua. São mulheres de burca sentadas nas calçadas com seus filhos nos braços.

Fui aconselhada a não dar nunca dinheiro, eu não daria mesmo que não tivessem me aconselhado, cada um que ajude os seus pobres. Essas pessoas recebem auxílio do governo têm onde morar e o que comer sem precisar pedir, acho que não sabem bem o que é pobreza.

A Grand Place, ah! É linda! E o menino que faz xixi, é mesmo pequeno, bem pequeno, digamos. Mas a atmosfera do lugar é ótima, eu adorei.



No avião

No avião para Bruxelas, eu penso na quantidade de vezes que eu ouvi : “Ah, um ano passa tão rápido!”. Que passa rápido eu sei, mas um ano tem 12 meses e 12 meses não são pouca coisa. Se eu fosse uma criança ingressando na escola, em 12 meses, eu aprenderia a ler e a escrever. Se eu fosse uma mulher grávida, em 12 meses, eu teria um bebê de 3 meses( pensei nisso porque do meu lado viajou uma mãe com sua filha grávida de semanas). Se eu fosse uma plantação de painço, eu daria 4 safras ( meu pai me disse isso). Doze meses são 12 meses, e o que eu penso agora é que se forem bons, e serão, vão passar tão rápido.

Outra coisa que passa pela minha cabeça agora é que eu serei uma estrangeira. Depois de trabalhar tanto tempo com estrangeiros, chegou a minha vez! Eu fico pensando que tipo de estrangeira vou ser. Há estrangeiros de todo tipo, os que acham tudo legal, os que acham tudo uma nova experiência cultural, há os nostálgicos, tudo no seu país de origem é melhor, o pão, o queijo, a carne, a intensidade do sol, o modo como a chuva cai e a água. Às vezes, eu penso que eu deveria ser desse último tipo, dessa forma eu me sentiria vingada por todos os estrangeiros que me amolaram com as intermináveis queixas sobre a intensidade do sol. Mas acho que eu terei mais diversão se eu me propuser a ser do tipo tudo é legal, as pessoas ficam felizes quando a gente gosta das bobagens deles. Eu ficava feliz quando meus alunos diziam que alguma coisa no Brasil era ótima, mesmo que pessoalmente eu achasse uma bobagem.

Bom, ficamos assim, eu escreverei durante esses 12 meses e vocês me dizem que tipo de estrangeira eu me tornei.